Recife, Pernambuco — O sistema de transporte público da Região Metropolitana do Recife retoma a implementação de um projeto-piloto para testar catracas elevadas, buscando combater a evasão de receita tarifária, que gera um prejuízo anual estimado em R$ 240 milhões. O novo esforço, conduzido em parceria pelo governo de Pernambuco e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), promete uma abordagem mais cuidadosa, focada na ergonomia e na acessibilidade para passageiros.
A medida visa frear o prejuízo financeiro que atinge o setor. Dados operacionais revelam que a evasão de passagens, seja por invasão de coletivos ou outras práticas fraudulentas, custa ao sistema uma média de R$ 20 milhões por mês, impactando diretamente a qualidade do serviço e a sustentabilidade da frota. A ação busca não apenas recuperar essa receita, mas também restabelecer a organização operacional comprometida por essas invasões.
Esta nova tentativa surge após a suspensão de testes anteriores, que causaram grande repercussão pública. Em um episódio amplamente noticiado, uma passageira teve a cabeça presa no equipamento, o que levou o MPPE a recomendar a imediata interrupção do projeto. A experiência negativa serviu de alerta para a necessidade de um design mais seguro e inclusivo.
O novo dispositivo, apelidado de "acoplamento especial", não substituirá as catracas existentes, mas será adicionado a elas. Conforme detalhado por Matheus Freitas, presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), o design foi meticulosamente planejado para garantir a passagem ergonômica dos passageiros, ao contrário dos modelos testados anteriormente.
Pensando na inclusão, o projeto prevê o uso da porta do meio dos coletivos para o embarque de pessoas com deficiência (PCD) e passageiros com obesidade. Além disso, o novo design mantém o eixo central da catraca livre, facilitando a passagem de volumes como mochilas, um ponto de preocupação em projetos anteriores. A expectativa é que, com a nova abordagem e o acompanhamento rigoroso do MPPE, o sistema consiga inibir a evasão sem comprometer o conforto e a segurança dos usuários.

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